sábado, 30 de março de 2013

Vivência do amor pascal


2 – Vivência do amor pascal

  O amor pascal, o Amor de Deus que se manifesta na Páscoa é um amor com três facetas: eucarístico, crucificado, ale­gre. Quinta-Feira Santa, Sexta-Feira Santa e Domingo de Páscoa são uma trilogia do amor, são três facetas do mesmo amor trinitário.
  Amor eucarístico de Cenáculo, de lava-pés e de Ceia, de refeição sagrada e de entrega total. Amor como dádiva, como imolação até ser alimento para os homens. Dá-Se todo e dá-Se totalmente, em entrega generosa. Corpo e Sangue, Alma e Divindade, feito pão e vinho na Ceia eucarística. Prova de amor maior não há.
  Amor crucificado de Sexta-Feira Santa, amor que O leva a fazer-Se dor, a aceitar ser maldito e pecado, vítima redentora. Sem esta oblação não havia libertação dos homens, não havia redenção. Paixão e Morte que expressam o dom da própria vida.
  Mas no domingo de Páscoa é o amor alegre e ressuscitado que se apresenta a nós no dom da alegria, da paz, da vida nova. Amor do Pai que O ressuscita, amor de Cristo que vem consolar, animar, encorajar. Amor que O leva a partilhar refeição alegre com seus irmãos. Amor que convida à intimidade ale­gre com Ele na união de amizade.
  A Páscoa, o tríduo pascal, é o grito eloquente do amor de Deus que Se faz alimento eucarístico, que Se dá na cruz como vítima e que nos convida a partilhar vida nova de ressuscitado.

Dário Pedroso, S. J.,Caminho de Libertação, 3.ª edição, revista, Editorial Apostolado da Oração, Braga, 2008, págs. 36-37

Santa Páscoa

Circunstâncias pessoais impediram-me a atividade no blog e outras redes sociais, nestes últimos dias da Quaresma e nestes dias, de encantamento, após a eleição do nosso querido Papa Francisco.
Fica o regresso, mais assíduo, para breve.

Uma Santa Páscoa!

segunda-feira, 11 de março de 2013

Trilogia quaresmal


"A doutrina tradicional da Igreja, que a nova reforma pas­toral e litúrgica continuou a ter em consideração, fala-nos da Quaresma como tempo privilegiado para a oração, o jejum, a caridade. Três linhas de força da acção quaresmal, três acções concretas para o plano da nossa Quaresma. Mudança verdadeira em três sectores.
  Para com Deus, na oração, na intensidade e qualidade da vida espiritual, no cuidado na vida interior. Dar mais tempo, dar do nosso melhor ao Senhor. Buscar lugar e espaço para a oração pessoal mais intensa, para a Eucaristia mais frequente, para a leitura e reflexão da Palavra, para o exercício da Via-Sacra, para o tempo sereno e interiorizante da Adoração reparadora. Conversão para com Deus, mudança na qualidade e quantidade da nossa oração.
  Para com o próximo, no exercício concreto da caridade, do serviço, da esmola, da ajuda, da disponibilidade. Conversão ao amor, à prática concreta da vida fraterna. Viver na paz, construir laços de fraternidade, estabelecer relações amigas. Na caridade nunca daremos tudo, nem o suficiente. A Quaresma apresenta-se como desafio ao amor dos outros. Seria a grande mudança a realizar quotidianamente.
  Para connosco, na conversão pessoal, no jejum de tudo o que não nos deixar ser o cristão que devíamos. Jejum de comida, de bens de consumo, de bebida, de tabaco. Mas jejuar também de maus hábitos, de costumes menos cristãos, jejuar de tudo o que alimenta o nosso eu mesquinho, o nosso homem velho."

Dário Pedroso, S. J.,Caminho de Libertação, 3.ª edição, revista, Editorial Apostolado da Oração, Braga, 2008, págs. 19-20

domingo, 10 de março de 2013

Conversão – Metanoia


A Quaresma é, no essencial do seu dinamismo espiritual e litúrgico, o tempo da conversão. E esta deve ser entendida no sentido paulino da metanóia, ou seja, da mudança radical que englobe a conversão da maneira de pensar, de sentir, de agir, de querer, de amar. Conversão aos critérios evangélicos mais puros e radicais para viver à maneira do Senhor Jesus Cristo.
  «Convertei-vos» foi o primeiro anúncio de Jesus Cristo, a primeira proclamação da Boa Nova. Converter-se aos critérios das Bem-aventuranças, às exigências da pobreza, serviço, humildade, despojamento evangélico. Mudanças dos critérios mundanos, por vezes quase pagãos, do ódio, da vingança, da vaidade, dum mundanismo de modos de ser, para viver a Vida de Cristo Jesus. Mudança do carnal para o espiritual, do material para o divino, do natural para o sobrenatural, do puramente humano ao plenamente cristão.
  E a grande conversão quaresmal deve consistir na con­versão ao amor. Rasgar os corações ao longo da Quaresma para que, na Sexta-Feira Santa, ao contemplar o soldado a trespassar o lado do Senhor, o nosso coração já esteja aberto pelo esforço da conversão à vida da caridade verdadeira. Se a santidade é o amor, se a perfeição da lei é a caridade, a grande conversão é ao amor.

Dário Pedroso, S. J.,Caminho de Libertação, 3.ª edição, revista, Editorial Apostolado da Oração, Braga, 2008, págs. 14-15

Comentários ao Evangelho do IV Domingo da Quaresma


Temos neste ano, neste 4º domingo, a maravilhosa parábola do Pai da misericórdia, do Deus da ternura e da bondade que não só perdoa, mas que faz festa e Se alegra em perdoar. Arrependidos dos nossos pecados, voltemos ao Pai, que nos acolhe em sua misericórdia. Deixemo-Lo fazer festa connosco. Sejamos filhos pródigos arrependidos. Deus, perante o pecador arrependido, não sabe fazer outra coisa do que uma festa de perdão e de misericórdia. Aproximemo-nos desta misericórdia através do sacramento da Reconciliação. E aprendamos com o Pai a ter misericórdia com os outros. Não sejamos como o filho mais velho que tem o coração fechado ao amor do irmão, ao amor misericordioso.


Dário Pedroso, S. J.,Caminho de Libertação, 3.ª edição, revista, Editorial Apostolado da Oração, Braga, 2008, pág. 98

Parábola sobre a misericórdia: os dois filhos



Naquele tempo, os publicanos e os pecadores aproximavam-se todos de Jesus, para O ouvirem. Mas os fariseus e os escribas murmuravam entre si, dizendo: «Este homem acolhe os pecadores e come com eles». Jesus disse-lhes então a seguinte parábola: «Um homem tinha dois filhos. O mais novo disse ao pai: ‘Pai, dá-me a parte da herança que me toca’. O pai repartiu os bens pelos filhos. Alguns dias depois, o filho mais novo, juntando todos os seus haveres, partiu para um país distante e por lá esbanjou quanto possuía, numa vida dissoluta. Tendo gasto tudo, houve uma grande fome naquela região e ele começou a passar privações. Entrou então ao serviço de um dos habitantes daquela terra, que o mandou para os seus campos guardar porcos. Bem desejava ele matar a fome com as alfarrobas que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava. Então, caindo em si, disse: ‘Quantos trabalhadores de meu pai têm pão em abundância, e eu aqui a morrer de fome! Vou-me embora, vou ter com meu pai e dizer-lhe: Pai, pequei contra o Céu e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho, mas trata-me como um dos teus trabalhadores’. Pôs-se a caminho e foi ter com o pai. Ainda ele estava longe, quando o pai o viu: encheu-se de compaixão e correu a lançar-se-lhe ao pescoço, cobrindo-o de beijos. Disse-lhe o filho: ‘Pai, pequei contra o Céu e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho’. Mas o pai disse aos servos: ‘Trazei depressa a melhor túnica e vesti-lha. Ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés. Trazei o vitelo gordo e matai-o. Comamos e festejemos, porque este meu filho estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado’. E começou a festa. Ora o filho mais velho estava no campo. Quando regressou, ao aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças. Chamou um dos servos e perguntou-lhe o que era aquilo. O servo respondeu-lhe: ‘O teu irmão voltou e teu pai mandou matar o vitelo gordo, porque ele chegou são e salvo’. Ele ficou ressentido e não queria entrar. Então o pai veio cá fora instar com ele. Mas ele respondeu ao pai: ‘Há tantos anos que eu te sirvo, sem nunca transgredir uma ordem tua, e nunca me deste um cabrito para fazer uma festa com os meus amigos. E agora, quando chegou esse teu filho, que consumiu os teus bens com mulheres de má vida, mataste-lhe o vitelo gordo’. Disse-lhe o pai: ‘Filho, tu estás sempre comigo e tudo o que é meu é teu. Mas tínhamos de fazer uma festa e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado’».


 Lc 15, 1-3.11-32

(Evangelho - IV Domingo (Ano C) da Quaresma)

Fonte: Secretariado Nacional de Liturgia

sábado, 9 de março de 2013

Deserto interior


Moisés, o Povo e Cristo recolhem-se ao deserto. É o lugar favorável e oportuno para o silêncio interior, a solidão de coração, para o encontro mais a sério com Deus e connosco próprios. Lugar privilegiado para a oração mais intensa, mais profunda e mais íntima. No reboliço do mundo, na algazarra, na azáfama não conseguimos rezar, entrar em comunhão com Deus. E quando o nosso interior anda agitado, a imaginação turbulenta, o coração pouco sereno, não conseguimos rezar, ter capacidade de recolhimento. O deserto da Quaresma deve ser ocasião oportuna para uma maior oração.
  Mas o deserto é também lugar de encontro connosco. Tempo para nos vermos por dentro, para repensar a vida, aferir critérios, para nos vermos «aos olhos de Deus». Habi­tualmente, andamos à superfície, na mediocridade, na incapa­cidade de nos interrogarmos e nos questionarmos. O deserto da Quaresma é ocasião oportuna para nos deixarmos inter­pelar pela Palavra, para sairmos dos nossos esconderijos, para nos olharmos com coragem e de frente.
  E neste deserto no meio da vida, ao encontrarmos Deus pela oração e ao nos encontrarmos a nós, vamos purificando o nosso passado e lançando nova plataforma para o nosso futuro. Só assim haverá «passagem», Páscoa verdadeira na nossa vida.

Dário Pedroso, S. J.,Caminho de Libertação, 3.ª edição, revista, Editorial Apostolado da Oração, Braga, 2008, págs. 14-15

sexta-feira, 8 de março de 2013

"Gaudium et Spes": referências à Mulher


No Dia da Mulher partilhamos algumas frases constantes na Constituição Pastoral Gaudium et Spes (A Igreja no Mundo Actual), emanada do Concílio Vaticano II, que realçam a sua dignidade e igualdade.
O bold é nosso.

Igualdade de direitos com o homem:

"As mulheres reivindicam, onde ainda a não alcançaram, a paridade de direito e de facto com os homens."

Gaudium et Spes 9

Direitos da mulher:

"É realmente de lamentar que esses direitos fundamentais da pessoa ainda não sejam respeitados em toda a parte. Por exemplo, quando se nega à mulher o poder de escolher livremente o esposo ou o estado de vida ou de conseguir uma educação e cultura iguais às do homem."

Gaudium et Spes 29

Responsabilidade e participação social:

"Antes de mais, a educação dos jovens, de qualquer origem social, deve ser de tal maneira organizada que suscite homens e mulheres não apenas cultos mas também de forte personalidade, tão urgentemente exigidos pelo nosso tempo."

Gaudium et Spes 31

Valor da actividade humana:

"Assim, os homens e as mulheres que, ao ganhar o sustento para si e suas famílias, de tal modo exercem a própria actividade que prestam conveniente serviço à sociedade, com razão podem considerar que prolongam com o seu trabalho a obra do Criador, ajudam os seus irmãos e dão uma contribuição pessoal para a realização dos desígnios de Deus na história (3)."

(3) Cfr. João XXIII, Enc. Pacem in terris: AAS 55 (1963), p. 297.

Gaudium et Spes 34

O amor conjugal:

A unidade do matrimónio, confirmada pelo Senhor, manifesta-se também claramente na igual dignidade da mulher e do homem que se deve reconhecer no mútuo e pleno amor. 

Gaudium et Spes 49

Participação na vida cultural:

"As mulheres trabalham já em quase todos os sectores de actividade; mas convém que possam exercer plenamente a sua participação, segundo a própria índole. Será um dever para todos reconhecer e fomentar a necessária e específica participação das mulheres na vida cultural."

Gaudium et Spes 60



quarta-feira, 6 de março de 2013

História da Quaresma


  Até ao século III, não havia o período de preparação para a Páscoa a que chamamos Quaresma. Vivia-se em tempos de perseguição e martírio, em penitência quotidiana. A preparação pascal resumia-se a dois dias de jejum. Os primeiros cris­tãos davam maior importância ao tempo pascal, desde a Res­surreição ao Pentecostes.
  Só no século IV se começa a viver a Quaresma, compreen­dendo sete semanas de preparação. O Concílio de Niceia (ano 325) faz a primeira referência à Quaresma.
  A grande tónica desta preparação era sem dúvida baptis­mal, ou seja, catequese, escuta da Palavra, oração, que prepa­rava os catecúmenos para o Baptismo a receber na Vigília da Páscoa que, segundo Santo Agostinho, é a mãe de todas as Vigí­lias. Assinalava-se de modo particular a quarta e a sexta-feira, que eram passadas em penitência e oração.
  Dois séculos mais tarde, começa a dar-se grande impor­tância às celebrações dos Santos, a quem são dedicadas as Estações da Quaresma. Começa-se a perder o sentido original, mais penitencial e litúrgico, da grande caminhada para a Páscoa.
  Foi, contudo, permanecendo a ideia e a prática do jejum, mas baseada numa legislação que parecia dar mais importância à casuística externa do que à conversão interior.
  O Concílio de Trento vai prescrever que a Quaresma seja tempo de grande Pregação da Palavra para catequização do Povo de Deus. A Palavra levará à conversão e à recepção dos sacramentos. Conduzirá a uma vida mais evangélica.
  O Concílio Vaticano II, com a sua maravilhosa reforma litúrgica, suprimiu quase todas as festas dos Santos no tempo quaresmal, determinou novas leituras para a liturgia diária, enriqueceu o ritual da penitência, das celebrações penitenciais, e deu orientações pastorais e espirituais para a Quaresma, sem esquecer o sentido do jejum, da abstinência, da caridade, etc.

Dário Pedroso, S. J.,Caminho de Libertação, 3.ª edição, revista, Editorial Apostolado da Oração, Braga, 2008, págs. 11-13


domingo, 3 de março de 2013

Comentários ao Evangelho do III Domingo da Quaresma

Domingo III da Quaresma


A grande palavra deste Evangelho é o apelo à conversão, ao arrependimento, Sem arrependimento sincero, morreremos no nosso pecado e podemos caminhar para a morte eterna, a eterna condenação. Quaresma, como tempo de conversão, é tempo de graça. Deus, como o dono da figueira, saberá esperar com o seu amor infinito, mas precisamos de pôr mãos à obra e lutar pelo arrependimento e pela santidade. Se assim não suceder, o Senhor mandará cortar a figueira, ou o vinhateiro cortará os ramos secos e deitá-los-á ao fogo. Como vamos trabalhar o nosso arrependimento e abrir-nos à graça que salva e purifica?

Dário Pedroso, S. J.,Caminho de Libertação, 3.ª edição, revista, Editorial Apostolado da Oração, Braga, 2008, pág. 84

Exortação ao arrependimento / Parábola da figueira estéril


Naquele tempo, vieram contar a Jesus que Pilatos mandara derramar o sangue de certos galileus, juntamente com o das vítimas que imolavam. Jesus respondeu-lhes: «Julgais que, por terem sofrido tal castigo, esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus? Eu digo-vos que não. E se não vos arrependerdes, morrereis todos do mesmo modo. E aqueles dezoito homens, que a torre de Siloé, ao cair, atingiu e matou? Julgais que eram mais culpados do que todos os outros habitantes de Jerusalém? Eu digo-vos que não. E se não vos arrependerdes, morrereis todos de modo semelhante. Jesus disse então a seguinte parábola: «Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha. Foi procurar os frutos que nela houvesse, mas não os encontrou. Disse então ao vinhateiro: ‘Há três anos que venho procurar frutos nesta figueira e não os encontro. Deves cortá-la. Porque há-de estar ela a ocupar inutilmente a terra?’. Mas o vinhateiro respondeu-lhe: ‘Senhor, deixa-a ficar ainda este ano, que eu, entretanto, vou cavar-lhe em volta e deitar-lhe adubo. Talvez venha a dar frutos. Se não der, mandá-la-ás cortar no próximo ano».

Lc 13, 1-9


(Evangelho - III Domingo (Ano C) da Quaresma)