terça-feira, 5 de novembro de 2013

Greve - o que diz o Concílio Vaticano II

Já na reta final do Ano da Fé, que comemora os 50 anos do Concílio Vaticano II e os 20 do Catecismo da Igreja Católica, e ao aproximar-se uma Greve Geral convocada, para o próximo dia 8,  pela Frente Comum de Sindicatos, pelo Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado e Entidades com fins Públicos e pela Federação de Sindicatos da Administração Pública e de Entidades com Fins Públicos, pensamos ser de interesse deixar o que exprime uma das Constituições do Concílio Vaticano II (a Gaudium et Spes) sobre o assunto:

Participação na empresa e no conjunto da economia. Conflitos de trabalho

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Quando, porém, surgem conflitos económico-sociais, devem fazer-se esforços para que se chegue a uma solução pacífica dos mesmos. Mas ainda que, antes de mais, se deva recorrer ao sincero diálogo entre as partes, toda via, a greve pode ainda constituir, mesmo nas actuais circunstâncias, um meio necessário, embora extremo, para defender os próprios direitos e alcançar as justas reivindicações dos trabalhadores. Mas procure-se retomar o mais depressa possível o caminho da negociação e do diálogo da conciliação.

O sublinhado é nosso.

Esperamos  contribuir com este pequeno excerto para a reflexão sobre as razões que levam à convocação desta Greve Geral e o discernimento dos cristãos, em total liberdade interior, comparando com os seus valores e princípios, sobre a sua adesão ou não à mesma. 
Independentemente da sua decisão sobre este assunto em particular, os cristãos não podem, nem devem ficar fechados nas "capelinhas" e templos, mas ser cidadãos ativos e empenhados, de plenos direitos e deveres, tais como os restantes concidadãos não cristãos. Participarem não só nas suas Igrejas - o que já é bastante positivo - mas também na Sociedade, seja no campo político, cultural, como no mundo laboral e sindical.

Recordamos que, no âmbito civil, a greve é um direito consignado na Constituição da República Portuguesa (artigo 57.º).

Para finalizar, fica um artigo da Agência Ecclesia, de 27 de junho do corrente ano (última greve geral), mais pormenorizado sobre esta questão, intitulado Igreja, sindicatos e direito à greve, onde encontra mais referências a outros documentos da Doutrina Social da Igreja.

Fé e Cidadania

sábado, 30 de março de 2013

Vivência do amor pascal


2 – Vivência do amor pascal

  O amor pascal, o Amor de Deus que se manifesta na Páscoa é um amor com três facetas: eucarístico, crucificado, ale­gre. Quinta-Feira Santa, Sexta-Feira Santa e Domingo de Páscoa são uma trilogia do amor, são três facetas do mesmo amor trinitário.
  Amor eucarístico de Cenáculo, de lava-pés e de Ceia, de refeição sagrada e de entrega total. Amor como dádiva, como imolação até ser alimento para os homens. Dá-Se todo e dá-Se totalmente, em entrega generosa. Corpo e Sangue, Alma e Divindade, feito pão e vinho na Ceia eucarística. Prova de amor maior não há.
  Amor crucificado de Sexta-Feira Santa, amor que O leva a fazer-Se dor, a aceitar ser maldito e pecado, vítima redentora. Sem esta oblação não havia libertação dos homens, não havia redenção. Paixão e Morte que expressam o dom da própria vida.
  Mas no domingo de Páscoa é o amor alegre e ressuscitado que se apresenta a nós no dom da alegria, da paz, da vida nova. Amor do Pai que O ressuscita, amor de Cristo que vem consolar, animar, encorajar. Amor que O leva a partilhar refeição alegre com seus irmãos. Amor que convida à intimidade ale­gre com Ele na união de amizade.
  A Páscoa, o tríduo pascal, é o grito eloquente do amor de Deus que Se faz alimento eucarístico, que Se dá na cruz como vítima e que nos convida a partilhar vida nova de ressuscitado.

Dário Pedroso, S. J.,Caminho de Libertação, 3.ª edição, revista, Editorial Apostolado da Oração, Braga, 2008, págs. 36-37

Santa Páscoa

Circunstâncias pessoais impediram-me a atividade no blog e outras redes sociais, nestes últimos dias da Quaresma e nestes dias, de encantamento, após a eleição do nosso querido Papa Francisco.
Fica o regresso, mais assíduo, para breve.

Uma Santa Páscoa!

segunda-feira, 11 de março de 2013

Trilogia quaresmal


"A doutrina tradicional da Igreja, que a nova reforma pas­toral e litúrgica continuou a ter em consideração, fala-nos da Quaresma como tempo privilegiado para a oração, o jejum, a caridade. Três linhas de força da acção quaresmal, três acções concretas para o plano da nossa Quaresma. Mudança verdadeira em três sectores.
  Para com Deus, na oração, na intensidade e qualidade da vida espiritual, no cuidado na vida interior. Dar mais tempo, dar do nosso melhor ao Senhor. Buscar lugar e espaço para a oração pessoal mais intensa, para a Eucaristia mais frequente, para a leitura e reflexão da Palavra, para o exercício da Via-Sacra, para o tempo sereno e interiorizante da Adoração reparadora. Conversão para com Deus, mudança na qualidade e quantidade da nossa oração.
  Para com o próximo, no exercício concreto da caridade, do serviço, da esmola, da ajuda, da disponibilidade. Conversão ao amor, à prática concreta da vida fraterna. Viver na paz, construir laços de fraternidade, estabelecer relações amigas. Na caridade nunca daremos tudo, nem o suficiente. A Quaresma apresenta-se como desafio ao amor dos outros. Seria a grande mudança a realizar quotidianamente.
  Para connosco, na conversão pessoal, no jejum de tudo o que não nos deixar ser o cristão que devíamos. Jejum de comida, de bens de consumo, de bebida, de tabaco. Mas jejuar também de maus hábitos, de costumes menos cristãos, jejuar de tudo o que alimenta o nosso eu mesquinho, o nosso homem velho."

Dário Pedroso, S. J.,Caminho de Libertação, 3.ª edição, revista, Editorial Apostolado da Oração, Braga, 2008, págs. 19-20

domingo, 10 de março de 2013

Conversão – Metanoia


A Quaresma é, no essencial do seu dinamismo espiritual e litúrgico, o tempo da conversão. E esta deve ser entendida no sentido paulino da metanóia, ou seja, da mudança radical que englobe a conversão da maneira de pensar, de sentir, de agir, de querer, de amar. Conversão aos critérios evangélicos mais puros e radicais para viver à maneira do Senhor Jesus Cristo.
  «Convertei-vos» foi o primeiro anúncio de Jesus Cristo, a primeira proclamação da Boa Nova. Converter-se aos critérios das Bem-aventuranças, às exigências da pobreza, serviço, humildade, despojamento evangélico. Mudanças dos critérios mundanos, por vezes quase pagãos, do ódio, da vingança, da vaidade, dum mundanismo de modos de ser, para viver a Vida de Cristo Jesus. Mudança do carnal para o espiritual, do material para o divino, do natural para o sobrenatural, do puramente humano ao plenamente cristão.
  E a grande conversão quaresmal deve consistir na con­versão ao amor. Rasgar os corações ao longo da Quaresma para que, na Sexta-Feira Santa, ao contemplar o soldado a trespassar o lado do Senhor, o nosso coração já esteja aberto pelo esforço da conversão à vida da caridade verdadeira. Se a santidade é o amor, se a perfeição da lei é a caridade, a grande conversão é ao amor.

Dário Pedroso, S. J.,Caminho de Libertação, 3.ª edição, revista, Editorial Apostolado da Oração, Braga, 2008, págs. 14-15

Comentários ao Evangelho do IV Domingo da Quaresma


Temos neste ano, neste 4º domingo, a maravilhosa parábola do Pai da misericórdia, do Deus da ternura e da bondade que não só perdoa, mas que faz festa e Se alegra em perdoar. Arrependidos dos nossos pecados, voltemos ao Pai, que nos acolhe em sua misericórdia. Deixemo-Lo fazer festa connosco. Sejamos filhos pródigos arrependidos. Deus, perante o pecador arrependido, não sabe fazer outra coisa do que uma festa de perdão e de misericórdia. Aproximemo-nos desta misericórdia através do sacramento da Reconciliação. E aprendamos com o Pai a ter misericórdia com os outros. Não sejamos como o filho mais velho que tem o coração fechado ao amor do irmão, ao amor misericordioso.


Dário Pedroso, S. J.,Caminho de Libertação, 3.ª edição, revista, Editorial Apostolado da Oração, Braga, 2008, pág. 98

Parábola sobre a misericórdia: os dois filhos



Naquele tempo, os publicanos e os pecadores aproximavam-se todos de Jesus, para O ouvirem. Mas os fariseus e os escribas murmuravam entre si, dizendo: «Este homem acolhe os pecadores e come com eles». Jesus disse-lhes então a seguinte parábola: «Um homem tinha dois filhos. O mais novo disse ao pai: ‘Pai, dá-me a parte da herança que me toca’. O pai repartiu os bens pelos filhos. Alguns dias depois, o filho mais novo, juntando todos os seus haveres, partiu para um país distante e por lá esbanjou quanto possuía, numa vida dissoluta. Tendo gasto tudo, houve uma grande fome naquela região e ele começou a passar privações. Entrou então ao serviço de um dos habitantes daquela terra, que o mandou para os seus campos guardar porcos. Bem desejava ele matar a fome com as alfarrobas que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava. Então, caindo em si, disse: ‘Quantos trabalhadores de meu pai têm pão em abundância, e eu aqui a morrer de fome! Vou-me embora, vou ter com meu pai e dizer-lhe: Pai, pequei contra o Céu e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho, mas trata-me como um dos teus trabalhadores’. Pôs-se a caminho e foi ter com o pai. Ainda ele estava longe, quando o pai o viu: encheu-se de compaixão e correu a lançar-se-lhe ao pescoço, cobrindo-o de beijos. Disse-lhe o filho: ‘Pai, pequei contra o Céu e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho’. Mas o pai disse aos servos: ‘Trazei depressa a melhor túnica e vesti-lha. Ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés. Trazei o vitelo gordo e matai-o. Comamos e festejemos, porque este meu filho estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado’. E começou a festa. Ora o filho mais velho estava no campo. Quando regressou, ao aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças. Chamou um dos servos e perguntou-lhe o que era aquilo. O servo respondeu-lhe: ‘O teu irmão voltou e teu pai mandou matar o vitelo gordo, porque ele chegou são e salvo’. Ele ficou ressentido e não queria entrar. Então o pai veio cá fora instar com ele. Mas ele respondeu ao pai: ‘Há tantos anos que eu te sirvo, sem nunca transgredir uma ordem tua, e nunca me deste um cabrito para fazer uma festa com os meus amigos. E agora, quando chegou esse teu filho, que consumiu os teus bens com mulheres de má vida, mataste-lhe o vitelo gordo’. Disse-lhe o pai: ‘Filho, tu estás sempre comigo e tudo o que é meu é teu. Mas tínhamos de fazer uma festa e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi reencontrado’».


 Lc 15, 1-3.11-32

(Evangelho - IV Domingo (Ano C) da Quaresma)

Fonte: Secretariado Nacional de Liturgia

sábado, 9 de março de 2013

Deserto interior


Moisés, o Povo e Cristo recolhem-se ao deserto. É o lugar favorável e oportuno para o silêncio interior, a solidão de coração, para o encontro mais a sério com Deus e connosco próprios. Lugar privilegiado para a oração mais intensa, mais profunda e mais íntima. No reboliço do mundo, na algazarra, na azáfama não conseguimos rezar, entrar em comunhão com Deus. E quando o nosso interior anda agitado, a imaginação turbulenta, o coração pouco sereno, não conseguimos rezar, ter capacidade de recolhimento. O deserto da Quaresma deve ser ocasião oportuna para uma maior oração.
  Mas o deserto é também lugar de encontro connosco. Tempo para nos vermos por dentro, para repensar a vida, aferir critérios, para nos vermos «aos olhos de Deus». Habi­tualmente, andamos à superfície, na mediocridade, na incapa­cidade de nos interrogarmos e nos questionarmos. O deserto da Quaresma é ocasião oportuna para nos deixarmos inter­pelar pela Palavra, para sairmos dos nossos esconderijos, para nos olharmos com coragem e de frente.
  E neste deserto no meio da vida, ao encontrarmos Deus pela oração e ao nos encontrarmos a nós, vamos purificando o nosso passado e lançando nova plataforma para o nosso futuro. Só assim haverá «passagem», Páscoa verdadeira na nossa vida.

Dário Pedroso, S. J.,Caminho de Libertação, 3.ª edição, revista, Editorial Apostolado da Oração, Braga, 2008, págs. 14-15

sexta-feira, 8 de março de 2013

"Gaudium et Spes": referências à Mulher


No Dia da Mulher partilhamos algumas frases constantes na Constituição Pastoral Gaudium et Spes (A Igreja no Mundo Actual), emanada do Concílio Vaticano II, que realçam a sua dignidade e igualdade.
O bold é nosso.

Igualdade de direitos com o homem:

"As mulheres reivindicam, onde ainda a não alcançaram, a paridade de direito e de facto com os homens."

Gaudium et Spes 9

Direitos da mulher:

"É realmente de lamentar que esses direitos fundamentais da pessoa ainda não sejam respeitados em toda a parte. Por exemplo, quando se nega à mulher o poder de escolher livremente o esposo ou o estado de vida ou de conseguir uma educação e cultura iguais às do homem."

Gaudium et Spes 29

Responsabilidade e participação social:

"Antes de mais, a educação dos jovens, de qualquer origem social, deve ser de tal maneira organizada que suscite homens e mulheres não apenas cultos mas também de forte personalidade, tão urgentemente exigidos pelo nosso tempo."

Gaudium et Spes 31

Valor da actividade humana:

"Assim, os homens e as mulheres que, ao ganhar o sustento para si e suas famílias, de tal modo exercem a própria actividade que prestam conveniente serviço à sociedade, com razão podem considerar que prolongam com o seu trabalho a obra do Criador, ajudam os seus irmãos e dão uma contribuição pessoal para a realização dos desígnios de Deus na história (3)."

(3) Cfr. João XXIII, Enc. Pacem in terris: AAS 55 (1963), p. 297.

Gaudium et Spes 34

O amor conjugal:

A unidade do matrimónio, confirmada pelo Senhor, manifesta-se também claramente na igual dignidade da mulher e do homem que se deve reconhecer no mútuo e pleno amor. 

Gaudium et Spes 49

Participação na vida cultural:

"As mulheres trabalham já em quase todos os sectores de actividade; mas convém que possam exercer plenamente a sua participação, segundo a própria índole. Será um dever para todos reconhecer e fomentar a necessária e específica participação das mulheres na vida cultural."

Gaudium et Spes 60



quarta-feira, 6 de março de 2013

História da Quaresma


  Até ao século III, não havia o período de preparação para a Páscoa a que chamamos Quaresma. Vivia-se em tempos de perseguição e martírio, em penitência quotidiana. A preparação pascal resumia-se a dois dias de jejum. Os primeiros cris­tãos davam maior importância ao tempo pascal, desde a Res­surreição ao Pentecostes.
  Só no século IV se começa a viver a Quaresma, compreen­dendo sete semanas de preparação. O Concílio de Niceia (ano 325) faz a primeira referência à Quaresma.
  A grande tónica desta preparação era sem dúvida baptis­mal, ou seja, catequese, escuta da Palavra, oração, que prepa­rava os catecúmenos para o Baptismo a receber na Vigília da Páscoa que, segundo Santo Agostinho, é a mãe de todas as Vigí­lias. Assinalava-se de modo particular a quarta e a sexta-feira, que eram passadas em penitência e oração.
  Dois séculos mais tarde, começa a dar-se grande impor­tância às celebrações dos Santos, a quem são dedicadas as Estações da Quaresma. Começa-se a perder o sentido original, mais penitencial e litúrgico, da grande caminhada para a Páscoa.
  Foi, contudo, permanecendo a ideia e a prática do jejum, mas baseada numa legislação que parecia dar mais importância à casuística externa do que à conversão interior.
  O Concílio de Trento vai prescrever que a Quaresma seja tempo de grande Pregação da Palavra para catequização do Povo de Deus. A Palavra levará à conversão e à recepção dos sacramentos. Conduzirá a uma vida mais evangélica.
  O Concílio Vaticano II, com a sua maravilhosa reforma litúrgica, suprimiu quase todas as festas dos Santos no tempo quaresmal, determinou novas leituras para a liturgia diária, enriqueceu o ritual da penitência, das celebrações penitenciais, e deu orientações pastorais e espirituais para a Quaresma, sem esquecer o sentido do jejum, da abstinência, da caridade, etc.

Dário Pedroso, S. J.,Caminho de Libertação, 3.ª edição, revista, Editorial Apostolado da Oração, Braga, 2008, págs. 11-13


domingo, 3 de março de 2013

Comentários ao Evangelho do III Domingo da Quaresma

Domingo III da Quaresma


A grande palavra deste Evangelho é o apelo à conversão, ao arrependimento, Sem arrependimento sincero, morreremos no nosso pecado e podemos caminhar para a morte eterna, a eterna condenação. Quaresma, como tempo de conversão, é tempo de graça. Deus, como o dono da figueira, saberá esperar com o seu amor infinito, mas precisamos de pôr mãos à obra e lutar pelo arrependimento e pela santidade. Se assim não suceder, o Senhor mandará cortar a figueira, ou o vinhateiro cortará os ramos secos e deitá-los-á ao fogo. Como vamos trabalhar o nosso arrependimento e abrir-nos à graça que salva e purifica?

Dário Pedroso, S. J.,Caminho de Libertação, 3.ª edição, revista, Editorial Apostolado da Oração, Braga, 2008, pág. 84

Exortação ao arrependimento / Parábola da figueira estéril


Naquele tempo, vieram contar a Jesus que Pilatos mandara derramar o sangue de certos galileus, juntamente com o das vítimas que imolavam. Jesus respondeu-lhes: «Julgais que, por terem sofrido tal castigo, esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus? Eu digo-vos que não. E se não vos arrependerdes, morrereis todos do mesmo modo. E aqueles dezoito homens, que a torre de Siloé, ao cair, atingiu e matou? Julgais que eram mais culpados do que todos os outros habitantes de Jerusalém? Eu digo-vos que não. E se não vos arrependerdes, morrereis todos de modo semelhante. Jesus disse então a seguinte parábola: «Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha. Foi procurar os frutos que nela houvesse, mas não os encontrou. Disse então ao vinhateiro: ‘Há três anos que venho procurar frutos nesta figueira e não os encontro. Deves cortá-la. Porque há-de estar ela a ocupar inutilmente a terra?’. Mas o vinhateiro respondeu-lhe: ‘Senhor, deixa-a ficar ainda este ano, que eu, entretanto, vou cavar-lhe em volta e deitar-lhe adubo. Talvez venha a dar frutos. Se não der, mandá-la-ás cortar no próximo ano».

Lc 13, 1-9


(Evangelho - III Domingo (Ano C) da Quaresma)



domingo, 24 de fevereiro de 2013

Comentários ao Evangelho do II Domingo da Quaresma


Domingo II da Quaresma


     O Evangelho deste segundo domingo da Quaresma, nos três ciclos (A ,B, C) relata-nos a cena da Transfiguração do Senhor. Afinal, é a proposta quaresmal: viver mais em oração e penitência para sermos transfigurados em Cristo, para sermos cristificados, convertidos pelo ser amor. Jesus sobe ao monte, ao lugar do silêncio e reza. Novamente a insistência da oração. E o Pai diz-nos: «Este é o meu Filho, escutai-O». O Pai deseja que escutemos o Filho, a Palavra, que a saibamos ouvir de dentro, saboreá-la, lê-la, meditá-la, amá-la. Só a Palavra converte, salva, dá fé. Como vamos passar a Quaresma nesta atitude de escuta da Palavra, de leitura e meditação? Meditar a Bíblia com frequência é caminho de libertação. Que bela proposta para a nossa caminhada quaresmal.

    Fica-nos, neste texto, o mistério da Transfiguração do Senhor, que no meio da sua vida pública, terrena, nos mostra algo da sua divindade, ao ponto dos apóstolos ficarem atónitos. Precisamos que a nossa Quaresma seja uma aposta concreta na nossa transfiguração, na mudança radical da nossa vida. Critérios, gostos, desejos, sentimentos, tudo, absolutamente tudo, mais cristificado, mais semelhante a Jesus, mais embebido da sua vida e do seu Evangelho. A transfiguração ao longo da Quaresma é um modo concreto de prepararmos a Páscoa, a nossa própria ressurreição com Jesus. Que passos concretos vamos dar? Como nos queremos comprometer nesta caminhada de transfiguração, de mudança?


Dário Pedroso, S. J.,Caminho de Libertação, 3.ª edição, revista, Editorial Apostolado da Oração, Braga, 2008, págs. 69-70

NOTA: Os nossos agradecimentos ao P. Dário Pedroso pela generosa cedência de textos, e a autorização para a  sua publicação, os quais nos irão acompanhar ao longo desta Quaresma.


Transfiguração de Jesus


Naquele tempo, Jesus tomou consigo Pedro, João e Tiago e subiu ao monte, para orar. Enquanto orava, alterou-se o aspecto do seu rosto e as suas vestes ficaram de uma brancura refulgente. Dois homens falavam com Ele: eram Moisés e Elias, que, tendo aparecido em glória, falavam da morte de Jesus, que ia consumar-se em Jerusalém. Pedro e os companheiros estavam a cair de sono; mas, despertando, viram a glória de Jesus e os dois homens que estavam com Ele. Quando estes se iam afastando, Pedro disse a Jesus: «Mestre, como é bom estarmos aqui! Façamos três tendas: uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias». Não sabia o que estava a dizer. Enquanto assim falava, veio uma nuvem que os cobriu com a sua sombra; e eles ficaram cheios de medo, ao entrarem na nuvem. Da nuvem saiu uma voz, que dizia: «Este é o meu Filho, o meu Eleito: escutai-O». Quando a voz se fez ouvir, Jesus ficou sozinho. Os discípulos guardaram silêncio e, naqueles dias, a ninguém contaram nada do que tinham visto.




Lc 9, 28b-36

(Evangelho - II Domingo (Ano C) da Quaresma)


sábado, 16 de fevereiro de 2013

O jejum que agrada a Deus - II


O jejum que agrada a Deus (1,10-20; Zc 7)
Se retirares da tua vida toda a opressão, o gesto ameaçador e o falar ofen­sivo, 10se repartires o teu pão com o fa­minto e matares a fome ao pobre, a tua luz brilhará na tua escu­ri­dão, e as tuas trevas tornar-se-ão como o meio-dia. 11O Senhor te guiará constante­mente, saciará a tua alma no árido de­serto, dará vigor aos teus ossos. Serás como um jardim bem re­gado, como uma fonte de águas ines­go­táveis. 12Reconstruirás ruínas antigas, levantarás sobre antigas funda­ções. Serás chamado: «Reparador de bre­­chas, restaurador de casas em ruínas.»

O sábado que agrada a Deus (Jr 17,19-27)
13Se te abstiveres de trabalhar ao sábado, de te ocupares dos teus negócios no meu dia santo, se chamares ao sábado a tua de­lícia, consagrando-o à glória do Senhor; se o solenizares, abstendo-te de viagens, de procurares os teus interesses e de tratares os teus negócios, 14então, encontrarás a tua felici­dade no Senhor. Far-te-ei desfilar sobre as altu­ras da terra, alimentar-te-ei com a herança do teu pai Jacob. É o próprio Senhor quem o diz!

Is 58, 9b-14
(1.ª leitura - Sábado depois das Cinzas)

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

O jejum que agrada a Deus


O jejum que agrada a Deus 
1Grita em voz alta, sem te can­sa­res. Levanta a tua voz como uma trom­­­beta. Denuncia ao meu povo as suas faltas, aos descendentes de Jacob, os seus pecados. 2Consultam-me dia após dia, mostram desejos de conhecer o meu caminho, como se fosse um povo que pra­ticasse a justiça e não abandonasse a lei de Deus. Pedem-me sentenças justas querem aproximar-se de Deus. 3Dizem-me: «Para quê jejuar, se vós não fazeis caso? Para quê humilhar-nos, se não prestais atenção?» É porque no dia do vosso jejum só cuidais dos vossos negócios e oprimis todos os vossos empre­gados. 4Jejuais entre rixas e disputas, dando bofetadas sem dó nem piedade. Não jejueis como tendes feito até hoje, se quereis que a vossa voz seja ouvida no alto.5Acaso é esse o jejum que me agrada, no dia em que o homem se mor­tifica? Curvar a cabeça como um junco, deitar-se sobre saco e cinza? Podeis chamar a isto jejum e dia agradável ao Senhor? 6O jejum que me agrada é este: libertar os que foram presos injus­tamente, livrá-los do jugo que levam às cos­tas, pôr em liberdade os oprimidos, quebrar toda a espécie de opres­são, 7repartir o teu pão com os esfo­meados, dar abrigo aos infelizes sem casa, atender e vestir os nus e não des­prezar o teu irmão. 8Então, a tua luz surgirá como a aurora, e as tuas feridas não tardarão a cicatrizar-se. A tua justiça irá à tua frente, e a glória do Senhor atrás de ti. 9Então invocarás o Senhor e Ele te atenderá, pedirás auxílio e te dirá: «Aqui estou!» 

Isaías 58, 1-9a 
(1.ª Leitura de 6.ª feira depois das Cinzas)